terça-feira, 30 de novembro de 2010

Buscando o realismo

Essa ilustrações foram finalizadas recentemente para uma agência de publicidade. A idéia aqui era tentar chegar o mais próximo possível de algo "fotográfico", muitas pessoas pra quem eu mostrei acharam muito realistas, quase a ponto de crer que estavam olhando para fotos mesmo.
É a primeira vez que tento alcançar esse tipo de resultado, não acho que tenha sido exatamente bem sucedido, mas confesso que gostei do resultado por uma razão: Eu consegui deixar a imagem ir para longe de mim.
Parece uma coisa sem sentido, mas quando eu digo "deixar a imagem ir" me refiro ao fato de que muitas vezes quando se está criando ou finalizando uma coisa, o artista se fecha em cima da visão pessoal de tal forma que às vezes ele nem percebe a importância de se considerar como o resultado está sendo visto por outros. Algo que você pode chegar a considerar ser um trabalho "sem falhas", por assim dizer, pode não necessariamente ter o mesmo efeito em outros olhos, isso lhe impõe o saudável desafio de tentar balancear seus critérios de artista com os do observador, quando se lida com um tipo de arte que é feita para e precisa ser vista, isso pode ser um divisor de águas.No caso aqui, como eu falei, eu não acho que chegou exatamente ao nível "fotográfico", mas eu tive a vantagem de ver os diversos estágios de evolução, eu vi como tudo chegou ao que é agora enquanto meus amigos só as viram prontas. Acho que o ponto chave disso é que eu consegui emular das fotos que usei como referência os pontos que são mais importantes pra deixar o observador "confortável", ou seja, familiarizado com a cena.
Cores, texturas próximas da foto, tudo que é necessário pra que quem estiver olhando, compre a imagem como real, mesmo que pondo as duas lado a lado fique claro qual é a real.Isso é uma coisa que eu reparo muito em filmes por exemplo, quando há uma determinada cena de efeitos em cgi eu notei que existe muito mais chance de ela ser aceita como real se estiver retratando algo ordinário, ou cotidiano do que quando mostra algo fantasioso, pois por mais realista que um objeto esteja representado, o cérebro tem mais resistência a aceitar uma coisa que não faz parte de suas experiências físicas, daí certos efeitos em CGI mesmo estando a um nível próximo da realidade acabem sendo vistos como algo falso.
Isso pode explicar fatos curiosos como por exemplo uma animação em stop-motion de um filme de Harryhausen ter às vezes mais credibilidade junto ao observador que um CGI, pois o espectador sabe que é um objeto real manipulado, portanto existe a sensação de interação com o humano, que no caso do CGI é um desafio um tanto mais complicado, apesar de contar com muito mais recursos. Isso tanto é verdade que hoje em dia os animadores quando querem conferir realismo a um objeto, geralmente o fazem parecer usado. O segredo apesar de tudo ainda é saber tornar o objeto em algo que pareça familiar e funcional.No caso aqui, um dos fatores que eu acho que pesou muito foram as gotas de água. Elas não só ajudam a conferir um tom de casualidade, mas ajudam a distrair os olhos, pois competem com os detalhes das texturas, que na verdade apenas lembram a fruta original e deixam o observador "confortável" como eu expliquei acima e ele aceita o que vê com mais facilidade.
A combinação dessas noções e mais uma boa dose de paciência podem ser fatores muito importantes para o desenvolvimento do artista que trabalhe com esse tipo de arte, quando você menos esperar ela surtirá efeito no espectador, quando isso acontecer você saberá que teve resultados.
Em tempo, as ilustrações começaram com um rascunho a lápis, escaneado e colorido em photoshop CS3 com referências.

Essas imagens pertencem ao cliente que as encomendou, por favor não as utilize em nada ou Darth Vader irá atrás de você.

Até a próxima.

5 comentários:

Guilherme Hollweg disse...

Olá Fernando,

cara que massa seu blog, achei por aí, descobri que você tem interesse por quadrinhos, e passei para dar uma vistada. hehehe

Velho, tenho blog de quadrinhos e cinema, se tiver um tempinho livre, dá uma passada lá.

Estou acompanhando A Ponta do Lápis... Seguindo.

Abraço,


Guiga Hollweg

Fernando Carvalho disse...

Valeu a força velho, dei uma olhada nos blogs, muito bacana, especialmente as dicas de leitura, muito material bom.
Tá adicionado na lista nos favoritos.

Valeu.

Breno Yared Pinto disse...

Fora o detalhe das gotas de água, acho que os vários pontos de luz que emulaste deram ainda mais volume e textura à arte.h

Fernando Carvalho disse...

É, esses pontos são o que chamamos "Highlights", eles são sutis na cena, mas essenciais. Aliás, em cena tudo é luz, ela que determina volume formas e cores, o artista tem que ter respeito pela luz pra alcançar um bom resultado.
Valeu

Breno Yared Pinto disse...

É, eu já fiz um curso de iluminação para TV. E não tinha ideia de quanto complexo. O diretor de fotografia é um artista. Até a temperatura da luz é importante.